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Depois das 17O que acontece, depois das 17?
2º turno6dias

Metodologia

Como a agregação é calculada

Detalhes da metodologia para o cálculo da agregação das pesquisas eleitorais.

O problema

Duas pesquisas sobre a mesma eleição quase nunca mostram os mesmos números, e isso não significa que uma delas esteja errada. Elas discordam por três motivos.

  1. A data. Uma pesquisa retrata o eleitorado no período em que as entrevistas foram feitas. Se duas pesquisas saíram com semanas de diferença, parte da divergência pode ser mudança real de opinião.
  2. O método. Cada instituto decide como selecionar e entrevistar as pessoas. Presencial, por telefone ou pela internet, com diferentes formas de montar a amostra e de tratar os indecisos. Essas escolhas produzem desvios sistemáticos, que se repetem em todas as pesquisas de uma mesma casa.
  3. A aleatoriedade. Nenhuma pesquisa ouve todos os eleitores, apenas uma amostra. Duas amostras tiradas da mesma população dão resultados um pouco diferentes por puro acaso, mesmo quando tudo é feito corretamente. É essa variação que a margem de erro quantifica.

Uma média simples mistura os três efeitos. Ela não separa movimento real de ruído, não corrige o desvio de cada instituto e não informa o tamanho da incerteza. O modelo abaixo trata os três separadamente.

O modelo

A agregação não é uma média com pesos escolhidos à mão. Ela é produzida por um modelo estatístico construído sobre uma ideia simples. Existe uma intenção de voto verdadeira no eleitorado, que ninguém observa diretamente e que pode mudar um pouco a cada dia. Cada pesquisa é uma medição imperfeita dessa intenção na data em que foi feita. O modelo reconstrói a trajetória diária mais provável da intenção de voto usando todas as pesquisas ao mesmo tempo, e a linha que os gráficos mostram é essa trajetória, até a data da pesquisa mais recente.

Na prática, o resultado se comporta como uma média das pesquisas cujos pesos enfrentam, um a um, os três motivos da seção anterior. Nenhum desses pesos é arbitrado. Todos são estimados dos próprios dados.

Pesquisas recentes valem mais. O modelo estima da própria série o quanto a intenção de voto costuma se mover por dia, separadamente antes e durante a campanha oficial. Isso impede que meses estáveis escondam uma mudança rápida quando a disputa acelera. Quanto mais antiga a pesquisa, mais movimento pode ter acontecido desde ela, e menor o peso que recebe. A seção seguinte detalha esse desconto.

O desvio de cada instituto é descontado. O modelo estima o quanto cada casa costuma medir acima ou abaixo das demais e desconta essa diferença antes de a pesquisa entrar na média. Sem isso, a estimativa penderia para o lado das casas que publicam com mais frequência.

Pesquisas mais precisas valem mais. O peso cresce com o tamanho da amostra e diminui para casas cujos números se dispersam mais. Pesquisas muito fora do padrão perdem peso automaticamente, sem que ninguém precise decidir quais excluir.

A conta é feita por simulação. O modelo gera centenas de trajetórias plausíveis da intenção de voto, todas compatíveis com o conjunto das pesquisas, e o número exibido para cada candidato em cada data é a mediana dessas trajetórias. A faixa em volta da linha cobre 90% delas. Em cada trajetória os percentuais somam 100, então quando um candidato sobe os outros necessariamente descem, e as estimativas carregam essa amarração.

Um ajuste merece destaque. A margem de erro que os institutos divulgam pressupõe que os entrevistados foram sorteados ao acaso entre todos os eleitores, e quase nenhuma pesquisa brasileira funciona assim. As amostras são montadas por cotas de perfil demográfico, o que torna a incerteza real maior que a divulgada. O modelo estima esse fator para cada instituto em vez de aceitar a margem declarada, e a incerteza de uma pesquisa típica fica em cerca de 1,75 vezes a anunciada.

Entram no ajuste da corrida nacional 131 rodadas de 19 institutos, sempre com a pergunta estimulada, aquela em que o entrevistado responde diante da lista de candidatos. A pergunta espontânea, sem lista, mede outra coisa e é apresentada em separado.

Nos estados o modelo é o mesmo, ajustado uma vez por unidade e por cargo, inclusive para a corrida presidencial medida dentro de cada estado. Onde as rodadas de um recorte não bastam para sustentar uma série não há agregado: a página do estado mostra a média das pesquisas, rotulada como média, e a faixa em volta dela é a margem declarada ou o alcance entre as leituras, nunca um intervalo de credibilidade. No Senado, em que cada eleitor escolhe dois nomes e os institutos publicam ora sobre o eleitor, ora sobre a citação, os percentuais entram como fatia das citações.

Para quem quiser o registro formal, estas são as equações.

Na notação, θ é a intenção de voto na escala composicional, δ é o desvio sistemático de cada instituto, D é o fator que corrige a margem declarada e A é a matriz que carrega a amarração de soma 100 entre os candidatos. A distribuição t, de cauda pesada, é o que tira peso das pesquisas destoantes.

O peso de uma pesquisa antiga

A agregação não é uma média do ano. Cada pesquisa informa a intenção de voto da data em que foi feita, e o que os gráficos destacam é a estimativa para a data mais recente. Uma pesquisa de janeiro ainda contribui para essa estimativa, mas com peso reduzido, porque desde então a intenção de voto pode ter mudado.

A velocidade com que o peso cai não é escolhida à mão, e sim estimada da própria série: o modelo mede o quanto a intenção de voto costuma se mover por dia e, a partir disso, quanto tempo uma pesquisa leva para pesar metade do que pesava quando saiu. Há uma velocidade de base e uma componente adicional depois do início oficial da campanha. Essa componente encolhe para perto de zero quando as pesquisas seguem estáveis e cresce quando casas diferentes registram movimento.

A alternativa comum entre agregadores é descartar pesquisas com mais de 30 dias ou impor um decaimento fixo, e qualquer uma dessas escolhas arbitra quanto o passado vale. Aqui a fronteira entre os regimes vem do calendário eleitoral e a velocidade dentro de cada regime é resposta do modelo aos dados. Uma leitura isolada ainda pode ser tratada como destoante; a concordância de pesquisas independentes faz o modelo esquecer o nível anterior mais depressa.

Viés dos institutos

O viés de um instituto é a discordância sistemática dele em relação ao conjunto das casas, depois de descontada a data de cada pesquisa. O desconto importa. Sem ele, um instituto que só publicou em julho pareceria enviesado apenas por ter medido outro momento da corrida.

Esse viés é sempre relativo ao conjunto dos institutos, não à urna. O modelo assume que os desvios se cancelam na média das casas, com peso maior para as que publicam mais. Ele identifica, portanto, quem mede acima ou abaixo dos demais, e não quem está certo.

O cálculo usa os votos válidos, descontados brancos, nulos e indecisos. O motivo é que cada casa trata os indecisos de um jeito. A fatia de respostas não declaradas vai de 2,0% (Palver) a 18,5% (Quaest), e sobre o total dos entrevistados essa diferença contaminaria a medida do viés. O nível de indecisos de cada casa é informado à parte.

Desvios sistemáticos têm causas legítimas. Entrevistas presenciais, por telefone e pela internet alcançam públicos diferentes, e cada casa tem seu jeito de tratar indecisos e de filtrar eleitores prováveis. Os valores de cada instituto estão em institutos, e são os da corrida nacional: cada série estadual estima os seus, numa escala própria que não se compara com a nacional, e por isso a página da casa diz apenas em quais séries ela entrou.

Três incertezas diferentes

Quando se fala na incerteza de uma pesquisa, há três perguntas diferentes em jogo, e cada uma admite uma resposta de largura diferente.

  1. Onde a intenção de voto está hoje. É a pergunta mais fácil. Como o agregado reúne muitas pesquisas, os erros de sorteio de cada amostra tendem a se cancelar e o intervalo fica estreito. É essa a faixa desenhada nos gráficos.
  2. Onde ela estará no dia da eleição. Além da incerteza de hoje, entra a possibilidade de o eleitorado mudar de ideia até lá. Quanto mais distante a eleição, mais espaço para mudança e mais largo o intervalo.
  3. Qual será o resultado na urna. É a pergunta mais difícil. Além das duas incertezas anteriores, entra o erro das próprias pesquisas: os desvios de método que atingem todos os institutos na mesma direção e só se revelam quando a urna abre. É de longe o intervalo mais largo, e é o que responde à pergunta "quem vai ganhar".

Este site publica apenas a primeira resposta. Os gráficos e placares mostram onde a corrida está hoje, com a incerteza de hoje. Não publicamos probabilidade de vitória nem projeção para o dia da eleição.

Agregado e urna

Depois da apuração, cada placar passa a mostrar, ao lado do último agregado, o resultado oficial do TSE. É a prova de que o agregador cumpre o que diz — e só vale como prova se três cuidados forem respeitados.

  1. O agregado comparado é o último que o modelo viu. Ele é lido na data da última ida a campo que entrou no ajuste, e não no dia da eleição: entre uma data e outra a série só carrega passeio aleatório, e comparar a urna com uma projeção seria comparar com outra coisa que não pesquisa. O agregado de 1º turno está congelado desde 10 de out. de 2026: pesquisa divulgada depois dessa data vai para o acervo, mas não altera o número que se compara com a urna. O 2º turno continua sendo atualizado, e só para quem foi à urna: a presidencial e o governo nos estados em que houve segundo turno. Nas demais disputas, já decididas, o agregado fica como estava.
  2. Cada lado entra na base em que o outro foi medido. As pesquisas publicam o percentual sobre o total de entrevistados, com indecisos, brancos e nulos dentro. Por isso a comparação principal é o resultado como fração do comparecimento — o Resto do agregado tem, na urna, brancos, nulos e os candidatos que o agregado não acompanha. A leitura sobre votos válidos renormaliza os dois lados entre os mesmos candidatos; o percentual oficial aparece ao lado, porque é o que o leitor conhece. No Senado de duas vagas o eleitor dá dois votos, o agregado é a fatia das citações e a urna é a fatia dos votos nominais. Candidatura indeferida ou ainda em julgamento recebe votos que o TSE tira dos válidos: a comparação os conta, porque a pesquisa mediu a intenção de voto naquele nome. Já o percentual oficial segue a conta do portal do TSE — os votos ainda em julgamento entram na base e o candidato é listado com o seu percentual; os anulados em definitivo ficam de fora — e quem venceu segue só os votos válidos.
  3. O intervalo do agregado não é o erro do dia. A faixa de 90% responde à primeira das três perguntas acima — onde a intenção de voto estava —, e não à terceira, qual seria o resultado. O erro das pesquisas no dia da eleição é bem maior que a incerteza da média delas, de modo que o resultado cair fora da faixa é, com frequência, o esperado. Por isso a tela diz "dentro" ou "fora do intervalo" e não "acertou" ou "errou": o que se mede é a diferença em pontos percentuais.

Duas contagens resumem as unidades: em quantas o agregado apontava o mais votado (no Senado, quantas das vagas eleitas) e a diferença média entre agregado e urna, em pontos percentuais, sobre os candidatos que o agregado acompanha. Unidades que só têm média simples das pesquisas — sem série — aparecem na comparação, mas não entram nessas contagens: o que se avalia é o agregado, não qualquer média.

O modelo nunca viu um voto. O resultado mora em arquivos separados dos do agregado, e nenhuma etapa do ajuste os lê. A única pergunta que o 2º turno faz à urna é quem foram os dois finalistas — para ajustar o par que aconteceu —, nunca quantos votos eles tiveram. A calibração do modelo é a mesma nos dois ciclos e não foi refeita contra nenhum resultado.

Qualidade dos dados

A base reúne 6.180 cenários de intenção de voto publicados por 157 institutos desde 2023: 1.796 da corrida nacional e 4.384 dos recortes estaduais — governador, Senado e a corrida presidencial medida dentro de um estado. Cada número aponta para a fonte de onde foi lido, e entre os cenários com campo em 2026 — os únicos que o TSE admite registrar — o registro foi localizado em 91% dos nacionais e 84% dos estaduais.

Os percentuais não vêm do TSE. Antes da eleição, o registro oficial informa a metodologia, o plano amostral, o estatístico responsável e até o valor pago pela pesquisa, mas nunca o resultado. Os números vêm dos institutos e da imprensa, e cada pesquisa é cruzada com seu registro oficial por regras estritas, sem aproximação de nomes.

A coleta é redundante de propósito. Quando duas fontes descrevem a mesma pesquisa, qualquer divergência entre elas fica visível em vez de ser resolvida em silêncio, e a fonte primária prevalece sobre a secundária.

Limites

A agregação cancela os erros que variam de uma pesquisa para outra, mas não os que todas compartilham. Se os institutos errarem juntos na mesma direção, subestimando ou superestimando um mesmo candidato, a agregação erra junto, e é por isso que este site não publica prognóstico de resultado. O modelo tampouco antecipa viradas. Ele só reconhece um movimento real depois que várias pesquisas apontam no mesmo sentido, e uma mudança rápida de opinião aparece na série com atraso. Nos estados esse atraso é maior, porque há unidades com uma pesquisa por mês: entre duas rodadas a banda larga é a medida da dúvida, não um defeito do desenho.